Palestinianos esperam pela reabertura da passagem de Rafah

Palestinianos esperam pela reabertura da passagem de Rafah

Os palestinianos aguardam com expectativa a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, uma ligação fundamental para a Faixa Gaza e a única porta de entrada que não era controlada por Israel antes da guerra.

Lusa /
Foto: Mohammed Saber - EPA

A reabertura é esperada depois de Israel ter anunciado hoje que os restos mortais do último refém em Gaza, Ran Gvili, foram recuperados.

Horas antes, Israel tinha dito que abriria a passagem de Rafah com limitações assim que a operação de busca por Gvili estivesse concluída.

A abertura da passagem entre Gaza e o Egito, que era controlada por Cairo antes da guerra, é vista como o início da segunda fase do cessar-fogo mediado pelos EUA, embora a sua abertura já estivesse prevista na primeira fase.

A agência Associated Press (AP) noticiou hoje que não é claro quando é que a passagem será reaberta e se permitirá o fluxo de mercadorias e pessoas para dentro e para fora do território devastado pela guerra.

O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, adiantou no final de domingo que Israel concordou com a reabertura da passagem de Rafah "apenas para peões, sujeita a um mecanismo completo de inspeção israelita".

Num comunicado divulgado hoje, o Hamas pediu a Israel que abra a passagem de Rafah em ambos os sentidos "sem restrições".

Ali Shaath, chefe do novo comité palestiniano que gere os assuntos diários de Gaza, afirmou na semana passada que a passagem seria aberta esta semana para facilitar a circulação de pessoas dentro e fora do enclave.

A reabertura da passagem de Rafah facilitaria o acesso dos habitantes de Gaza a tratamento médico, viagens internacionais e visitas a familiares no Egito, país que alberga dezenas de milhares de palestinianos.

Também ajudaria a economia devastada de Gaza, uma vez que o azeite e outros produtos palestinianos são amplamente vendidos no Egito e em todo o mundo árabe.

Israel referiu ainda que os palestinianos que desejam deixar Gaza terão de obter aprovação das autoridades de segurança israelitas e egípcias.

O Egito garante que deseja a abertura imediata da passagem em ambos os sentidos, para que os palestinianos no Egito possam entrar em Gaza.

Mas Cairo opõe-se ao realojamento permanente de refugiados palestinianos no seu território.

Com grande parte de Gaza reduzida a escombros, as Nações Unidas afirmaram que a população do território, de mais de 2 milhões de pessoas, necessita de um grande aporte de combustível, alimentos, medicamentos e tendas.

Embora alguma ajuda humanitária tenha entrado pela passagem, os camiões estão alinhados no exterior há meses, aguardando a oportunidade de entrar.

A passagem será também fundamental para a reconstrução de Gaza. Na semana passada, Jared Kushner, genro e conselheiro para o Médio Oriente do Presidente norte-americano, Donald Trump, destacou que a reconstrução pós-guerra se concentraria inicialmente na construção de "habitações para trabalhadores" em Rafah, uma cidade próxima do sul da Faixa de Gaza e atualmente controlada pelas tropas israelitas.

Mas Netanyahu insistiu hoje no Parlamento israelita (Knesset) que a próxima fase do cessar-fogo "é o desarmamento do Hamas e a desmilitarização da Faixa de Gaza".

"A próxima fase não é a reconstrução", garantiu,

Em retaliação dos ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.

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